
Essa voz doce. Quem é que tem coragem de amargurar, de torná-la rouca? Esses olhos mel. Me diz, quem é que tem coragem de apresentá-los a escuridão? Seguro frouxa a tua mão. Não quero te trazer as certezas se eu bem sei que sou eu a mais provável de te derrubar. Não te prometo o céu, não te prometo as estrelas, nem o olhar apaixonado das revistas. Mas lhe ofereço eu, inteira. Com todas as cicatrizes e arranhões, e aquele sorriso que você tanto gosta.
E pra você isso basta. Se delicia em descobrir os versos, os acordes e as melodias por trás dos tropeços. Tão humilde, desvenda lentamente. Tão bonito ver a cena de fora. Você desenhando com os dedos nas minhas costas. O olhar bobo apaixonado pelas minhas linhas. E eu tensa, com o coração rígido, por simplesmente já prever tudo: o céu cinza, a música dolorida, você no chão e eu em pé, com as mãos cheias de sangue, acusando-me de todas as suas novas feridas.