À espera

É um vazio. Um vazio que, paradoxalmente, mesmo sem ter nada, aperta o peito por muitas vezes fazendo pensar que não fosse suportar. O nada sufoca, fecha a garganta e aí tens certeza que dessa não vai escapar. Antes fosse. É obrigada a conviver com a glote fechada, puxando ar de um lugar que nem sonharia existir. As palavras se perdem num espaço em branco, inalcançável às linhas; a melodia se dissolve no ar mesmo antes de chegar aos ouvidos. Não tem pra onde correr, e por mais que queiras, não consegue escoar. Teu mundo antes feito de sorrisos fosforescentes agora é composto por cores foscas. E com corpo e mente se contorcendo, você simplesmente se senta, esperando agoniadamente alguém fazer teu brilho voltar.