Sem chegada
Era amor. Amor escorrendo pelas mãos, pelo corpo, pelas palavras que não conseguia conter. Apenas escapulia por entre os dedos na tentativa de segurá-lo, louco para chegar até você. Quanto mais longe, mais te buscava. Mais construía pontes em forma de melodia tentando te alcançar. Mais sussurrava refrãos, contando já com a sorte para você ouvi-los. Mais escancarava meu coração, enorme, exposto a toda a sujeira, só pra você me enxergar.
E me segurava e falava baixinho, vem cá, senta aqui do meu lado, deixa eu te mostrar. Apoia a cabeça no meu colo pra descansar esses pés fincados no chão. E você sabe, eu aguentaria qualquer coisa. Menos teu silêncio em forma de rejeição, desprezando tudo aquilo que era só teu, que eu fiz com as próprias mãos. Porque aí, é isso que acontece, você acaba aqui, ouvindo só as loucuras desse amor.
Rapidinhas
E então é assim que começa. Quando a distância aumenta dois passos. Quando a raiva da impotência de não te ter por perto, já se torna calma aceitação. Queria te dizer que eu vou ficar. Queria acreditar que isso é possível. Mas não, você sabe. Pois já não é. Já não estou, já nunca fomos. E o mais difícil é acreditar que já vou tarde.
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